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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Negro vítima de violência se emociona ao fazer denúncia durante audiência pública http://questaobrasil.com.br/ #QuestãoBrasil

Preste atenção na história de Luís Jesus dos Santos, 36 anos, negro. Ele conta, emocionado, que durante a parada gay do Distrito Federal do ano passado, ele e o companheiro foram abordados por policiais militares e levados a uma delegacia da Polícia Civil. 


"Eu fui humilhado com o meu companheiro, fui escorraçado, sem direito a ter um advogado, dentro de uma prisão, algemado, esbofeteado por um escrivão e seu colega, e até hoje não fui ouvido por nenhum órgão público. Eu me sinto uma pessoa impotente perante a sociedade brasileira e eles continuam aí agredindo as pessoas, recebendo salário."


Luís protocolou a denúncia, nesta terça-feira, na Comissão de Segurança Pública da Câmara. O deputado Alessandro Molon, do PT do Rio de Janeiro, disse que vai tomar as providências. 


"Quero manifestar nosso repúdio a qualquer forma de discriminação. O senhor tenha certeza, nós vamos encaminhar a denúncia e pedir providências dos órgãos responsáveis por isso. Pode ter certeza de que o sofrimento do senhor, o senhor trazendo ele a público, vai servir para que outros não sofram."


A denúncia de Luís foi apresentada no final da audiência da Comissão de Segurança Pública sobre a violência contra jovens negros no Brasil. Entre os debatedores não havia nenhum representante da juventude negra. Já os palestrantes do Ministério da Justiça, da Secretaria Nacional de Juventude e da Seppir, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, vieram à Câmara para dizer que o Governo Federal está prevendo a criação de um Programa Nacional para esta parcela da população. Enquanto isso, um grupo interministerial debate o tema. Anhamona de Brito, secretária de Políticas e Ações Afirmativas da Seppir, explica qual é o objetivo da iniciativa.


"A nossa intenção é fazer com que este trabalho gere, a partir da finalização de suas reflexões, estabelecimentos de algumas políticas públicas casadas, a atender o interesse da nossa juventude negra, aplacando esse processo de sucessivas violências que rebate, ao fim e ao cabo, na morte dos jovens negros." 


A previsão da Seppir é que as ações para diminuir as mortes violentas de jovens negros comecem a sair do papel no ano que vem. Para Fernando Benício dos Santos, coordenador do Educafro Brasília, que assistiu à discussão, a iniciativa do governo é insuficiente. 


"A gente não está nem um pouco satisfeito com essas ações, porque a gente não vê a praticidade delas. A gente vê muito debate, discussão, depois, quando vai pôr em prática, o negro e a sociedade são postos de fora." 


Dados do Mapa da Violência deste ano, elaborado pelo instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, apontam que, em 2008, enquanto 4.500 brancos de 15 a 24 anos foram assassinados, quase 13 mil jovens negros morreram da mesma forma. Bem mais que o dobro. O índice de homicídios entre os jovens negros é de 72 para cada 100 mil habitantes, mais que sete vezes o recomendado pela OMS, a Organização Mundial da Saúde.


Fonte: Rádio Câmara

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